Astolfo, o chato Causo #21

Era daqueles moradores que reclamava de tudo no condomínio…

Se a área comum era limpa, por que tanto barulho? Se não a limpavam, por que não? Se o portão da garagem era aberto rapidamente para ele, por que não pediam para confirmar se era ele mesmo? Se não abriam, e pediam a ele que abaixasse o vidro do carro, como não sabiam que era ele?

Quando passeava com seu cão pela trilha dentro do condomínio também não era diferente: reclamava se o abordavam ou não!

Enfim, “o” chato!

O livro de ocorrências, para se ter uma ideia, daqueles de capa dura, pautado, com cem folhas numeradas, fora preenchido quase todo só por ele…

Sem contar os e-mails…

Um belo dia, a administradora recém-contratada recebeu e-mail reclamando do fato de não estar sendo feito o treinamento dos funcionários do condomínio, já que tal compromisso constava do contrato de prestação de serviços.

A resposta foi clássica, de que deveria ter havido algum mal entendido, posto que à administradora cabe administrar condomínios, e o contrato não previa o treinamento de funcionários.

Mas, aí, teve uma particularidade: o nome dele, sem querer, foi trocado por Arnóbio. O gerente – que havia caprichado na resposta – fez algum tipo de confusão, sem se dar conta…

Ao receber a resposta, ignorou todo o texto e, imediatamente, fulminou seu interlocutor com outro e-mail, reclamando que não se chamava Arnóbio.

Porém, algo nervoso enquanto digitava, Astolfo também se confundiu e chamou de Ricardo o gerente que, na verdade, chamava-se Ronaldo.

Ronaldo, então, aproveitando o gancho, habilmente reverteu a situação com doses generosas de bom humor, e, felizmente, tudo acabou bem!

Hoje, eles até são amigos…

Embora Astolfo continue, ainda, muito chato!

skyline sp (115)

Dizem por aí que todo condomínio tem um chato. Até o incluem naquela famigerada lista dos problemas recorrentes, iniciadas pela letra “c”: cachorro, criança, carro, cano e calote.

Embora ache temerário generalizar, nem todas as pessoas têm capacidade intrínseca para habitar em condomínios, são inflexíveis, irascíveis e intolerantes.

A convivência nesse tipo de moradia requer bom senso, compreensão e muita civilidade.

Sobre Orandyr Luz

Consultor, articulista e palestrante, especialista em gestão condominial. Autor dos livros "Evolução Histórica do Condomínio Edilício", São Paulo/SP: Editora Scortecci, 2013, "O condomínio daquela rua - Histórias e causos nesse ambiente peculiar", São Paulo/SP: Editora Biblioteca 24horas, 2015 e "O condomínio & você - Práticas de gestão condominial", Curitiba/PR: Ed. Juruá, 2018. Ciclista, leitor, cidadão.
Esta entrada foi publicada em convivência com as etiquetas . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s