Na quase calada… da noite Causo #24

O síndico, meio desconfiado de que poderia estar acontecendo coisas bizarras na portaria, conseguiu instalar uma microcâmera lá sem que ninguém ficasse sabendo.

Ele atribuiu uma senha ao sistema de reprodução das imagens e muitas vezes via o porteiro dando uns cochilos e, em outras, via a portaria ficar abandonada quando ele ia ao banheiro.

Decorrido pouco mais de uma semana, viu nas imagens uma moça chegando ao condomínio – altas horas – e entrando na portaria.

Depois de um breve diálogo entre ela e o porteiro começou a orgia, que durou horas a fio.

Naquela mesma tarde, o síndico esperou o porteiro da noite chegar ao condomínio para assumir seu posto, e o chamou.

– Tudo bem? Alguma coisa diferente aconteceu por aqui, na noite de ontem?

O porteiro, meio pálido, meio sem entender aquela pergunta, respondeu:

– Tudo em ordem, Sr. Policarpo. A noite transcorreu normal, sem nenhuma ocorrência.

Aí o síndico – sem nenhuma sutileza para que o porteiro visse o que ia fazer – subiu na cadeira e retirou a câmera escondidinha na tomada, lá no alto.

“Você sabe o que é isto?” – perguntou ao porteiro. Este pediu para ver mais de perto, ficou em dúvida inicialmente, mas sacou o que era.

E o síndico: – Você confirma que nada de diferente aconteceu nessa madrugada, por aqui?

O porteiro empalideceu, de vez!

Diante do silêncio do síndico, apresentou sua demissão.

arquitetura e cidade3

Dizem que não existe porteiro que não durma no trabalho…

Já houve casos em que o condômino, em dia de chuva forte, que dependia dele para abrir o portão de pedestres, ficou todo encharcado até que o porteiro ouvisse a campainha!

Sem entrar no mérito das providências que o síndico poderia tomar para evitar esse tipo de comportamento, vamos admitir que, no silêncio da noite, na quietude e na falta de movimentos durante a madrugada, fica difícil ‘segurar’ o cochilo.

Não obstante seja falta grave!

Afinal, todos sabem, a portaria é a principal célula de segurança do condomínio. Se seu principal guardião – o porteiro – não está atento, seja lá qual for o motivo, incidentes fatalmente ocorrerão. Isto é certo, é uma questão de tempo.

Tendo isso em vista é I-N-A-C-E-I-T-Á-V-E-L que o porteiro receba visitas noturnas para prazeres fugazes exatamente no seu local de trabalho, potencializando os riscos que envolvem a segurança do edifício e de todos os condôminos.

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Sobre Orandyr Luz

Consultor, articulista e palestrante, especialista em gestão condominial. Autor dos livros "Evolução Histórica do Condomínio Edilício", Editora Scortecci, 2013, São Paulo/SP, "O condomínio daquela rua - Histórias e causos nesse ambiente peculiar", Editora Biblioteca 24horas, 2015, São Paulo/SP e "O condomínio & você - Práticas de gestão condominial", Ed. Juruá, 2018, Curitiba/PR. Ciclista, leitor, cidadão.
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