Amsterdã, Madri, Roma e Edimburgo proíbem carros

No século 20, nenhum bem foi mais cobiçado pela sociedade de consumo do que o automóvel. No século 21, o que se observa é o caminho oposto: os carros estão se tornando cada vez mais indesejáveis. O fenômeno tem ganhado força, especialmente na Europa, e pode provocar sérios danos à indústria automobilística.

Nos últimos dias, grandes cidades europeias anunciaram restrições à circulação de automóveis. Em Amsterdã, na Holanda, os carros movidos a gasolina e a diesel serão proibidos a partir de 2030, segundo determinação do Conselho Municipal. O projeto tem dois objetivos principais: diminuir drasticamente a emissão de poluentes e tornar a cidade mais amigável para pedestres e ciclistas. “A poluição costuma ser uma assassina silenciosa e é um dos maiores riscos à saúde em Amsterdã”, disse a conselheira de trânsito da cidade, Sharon Dijksma.

Amsterdã livre de carros

foto: Amsterdan Mayor/Divulgação

Segundo o governo local, a ideia é substituir todos os motores a gasolina e diesel por alternativas livres de emissões, como carros elétricos e a hidrogênio. A medida começará a ser implementada em 2020, com a proibição imediata de carros a diesel produzidos antes de 2005. Aos poucos, até chegar a 2030, eles estarão 100% vetados.

O movimento é crescente na Europa. No ano passado, Madri, na Espanha, anunciou que, nos próximos meses, vai banir o acesso à cidade de veículos a diesel e a gasolina fabricados antes de 2000. Em Roma, na Itália, as restrições começarão a partir de 2024, quando os carros a diesel ficarão proibidos de circular pelo centro da cidade.

Yoga e música

Até o Reino Unido, que tem resistido ao movimento, parece ter cedido aos novos tempos. No último fim de semana, o governo de Edimburgo, capital da Escócia, fechou as ruas do centro para a circulação de automóveis. No lugar de carros, os espaços foram ocupados por praticantes de yoga, músicos e crianças, para citar apenas alguns exemplos. “Estamos totalmente comprometidos em criar uma cidade acessível, sustentável e amiga das pessoas”, disse Lesley Macinnes, conselheira da cidade.

O combate aos carros começa a provocar estragos na indústria automotiva. Em 2018, as vendas mundiais de automóveis de passageiros e comerciais leves caíram pela primeira vez desde 2009, de acordo com dados da Jato Dynamics, consultoria especializada no setor. No ano passado, foram emplacados 81,8 milhões de veículos, 0,6% a menos do que no ano anterior.

O resultado negativo foi puxado por declínios das vendas na Europa, nos Estados Unidos e na China, os principais mercados do mundo. Com mais restrições à circulação de automóveis, os prognósticos para os próximos anos são pessimistas. “O carro está deixando de ser o sonho de consumo das novas gerações”, diz o consultor Eduardo Tancinsky. “O mundo entrou na era da sustentabilidade e do compartilhamento de produtos e serviços. Isso provocará uma grande revolução no setor automotivo”.

Enquanto os veículos a diesel e a gasolina perdem espaço, os híbridos e elétricos – comprovadamente menos poluentes – avançam na preferência dos consumidores. O ano de 2018 marcou um recorde para os automóveis movidos a bateria. Segundo a Jato Dynamics, foram vendidos 1,2 milhão de carros elétricos, o que representa uma alta de 74% na comparação com o ano anterior.

Para 2019, a expectativa do setor é chegar a 3 milhões de unidades elétricas negociadas, quase o triplo do desempenho de 2018. Os avanços tecnológicos associados à redução dos custos de produção e à preocupação ambiental reforçam que esse será um caminho sem volta.

Segundo um relatório publicado no início do ano pela consultoria Deloitte, os custos de fabricação de um veículo elétrico a bateria serão os mesmos de um carro movido a gasolina a partir de 2022. Quando isso acontecer, haverá poucos motivos para a indústria continuar investindo em modelos tradicionais.

Matéria completa em: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2019/05/08/internas_economia,753697/amsterda-madri-roma-e-edimburgo-proibem-carros.shtml. Acesso 27/06/2019.

Sobre Orandyr Luz

Consultor, articulista e palestrante, especialista em gestão condominial. Autor dos livros "Evolução Histórica do Condomínio Edilício", São Paulo/SP: Editora Scortecci, 2013, "O condomínio daquela rua - Histórias e causos nesse ambiente peculiar", São Paulo/SP: Editora Biblioteca 24horas, 2015 e "O condomínio & você - Práticas de gestão condominial", Curitiba/PR: Ed. Juruá, 2018. Ciclista, leitor, cidadão.
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