O zelador, esse herói!

Neste mês de fevereiro, dia 11, comemora-se o Dia do Zelador.

Essa comemoração teria que ser com toda “pompa e circunstância”, dada a relevância que esse profissional tem no dia a dia do condomínio, fato esse já cantado e contado em verso e prosa.

Suas atribuições também são bem conhecidas, então posso me furtar a listá-las…

De qualquer forma, é uma extensa lista de afazeres diários, semanais, mensais, semestrais, anuais, observando e checando as condições dos equipamentos elétricos, hidráulicos, inclusive aqueles que fazem parte do combate contra incêndios, fachadas, elevadores, sistema de telefonia e interfonia, de pressurização, portões, grupo gerador, se houver, rotas de fuga, área de garagem, jardins, etc., etc., etc.

Na prática, é o coringa na manga do síndico, seja este morador ou não, peça-chave para uma administração efetiva, eficaz e eficiente.

Há quem afirme que nesses dias atuais, com tantas novas exigências, não há mais espaço para aquele zelador das antigas, nosso velho amigo, o grande quebra-galhos de todas as horas, o sujeito que, achando uma brecha na sua concorrida agenda diária, não hesita em ajudar a condômina do ap. 117, que mora sozinha e não entende nada de torneira vazando.

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Não concordo.

Embora o novo zelador – já enquadrado diante da crescente profissionalização na gestão, diante do surgimento de outras competências, principalmente em razão da vertiginosa evolução de tecnologias que a envolvem – esteja cada vez mais presente em empreendimentos de maior complexidade, como os condomínios-clube, os comerciais, os mistos, os de logística, dentre outros, ainda há espaço para o profissional ‘tradicional’.

Por exemplo, aqueles residenciais considerados pequenos, isto é, com poucas unidades, preferencialmente um só bloco, área de lazer restrita, moradores de longa data, são o nicho perfeito para o zelador das antigas.

Ele é tão profissional quanto o outro, apenas se posiciona e age em face da realidade do condomínio em que está inserido, às vezes, há muitos e muitos anos. É aquela pessoa que, quanto se aposenta, mais comumente, ou sai qualquer que seja o motivo, os moradores efetivamente sentem sua falta.

Que fique claro que não sou insensível à natural evolução das coisas, apenas acho que (ainda) há mercado para ambos os perfis.

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O alerta de cientistas para evitar o desaparecimento de insetos

Cientistas de diferentes países se uniram para pedir, por meio de um artigo na revista Nature Ecology and Evolution, ações imediatas para a preservação dos insetos, além de medidas que melhorem os ecossistemas e a sociedade em geral.

Segundo os 75 pesquisadores que assinam o roteiro de ações, a eliminação gradual de pesticidas e a diversificação das terras agrícolas, por exemplo, podem ajudar a salvar espécies ameaçadas.

“Nós colhemos o que plantamos”, disse Jeff Harvey, ecologista do Instituto de Ecologia da Holanda e principal autor do documento. “É óbvio que o declínio de insetos afetará outras espécies da cadeia alimentar, e não podemos colocar pequenos curativos nisso.”

A biodiversidade da Terra está diminuindo a uma escala sem precedentes. Enquanto isso, os dados populacionais sobre insetos ainda são irregulares. Ainda assim, para os autores do texto, é possível e necessário agir de imediato, ajudando ecossistemas mesmo que não seja possível comprovar benefícios para espécies isoladamente.

abelhas imprescindíveis

“Apocalipse de insetos”

No ano passado, um artigo publicado na revista Biological Conservation gerou manchetes anunciando um “apocalipse de insetos” e o “colapso da natureza”, ao constatar que 40% das espécies de insetos poderiam estar sob ameaça de extinção em algumas décadas. Alguns especialistas criticaram o artigo pelo uso de termos tendenciosos e por avaliar mal o risco de extinção.

“Poucos dados estão disponíveis para a maioria das espécies, por isso é simplesmente falso afirmar que existe um consenso científico de que os insetos estão em declínio global”, disse Manu Saunders, ecologista da Universidade da Nova Inglaterra, por e-mail. “É uma questão muito diferente da dos insetos que estão sob ameaça real por várias razões, particularmente limpeza de terras, pesticidas, mudanças climáticas etc.”

A Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês), painel convocado pela ONU que reúne especialistas em ecologia, classificou provisoriamente a cifra de espécies ameaçadas de insetos em 10% no ano passado, no estudo mais abrangente já realizado.

“Acho que, globalmente, temos um declínio considerável de espécies”, afirma Josef Settele, ecologista do Centro Alemão Helmholtz de Pesquisa Ambiental e copresidente do relatório do IPBES. “40% parece muito alto e 10%, em nossa avaliação global, muito baixo, mas esse é o intervalo.”

Mesmo que os pesquisadores discordem quanto às tendências gerais, eles se unem em três pontos: a importância dos insetos para a humanidade, as ameaças crescentes que eles enfrentam e a falta de ação para preservá-los.

Os insetos desempenham um papel vital nos ecossistemas, e os seres humanos são particularmente dependentes deles para alimentação. Onde menos minhocas reabastecem o solo e as populações cada vez menores de abelhas e borboletas lutam para polinizar as colheitas, o suprimento de alimentos pode cair catastroficamente.

O relatório do IPBES estimou que até 577 bilhões de dólares (522 bilhões de euros) na produção agrícola anual estão em risco como resultado apenas da perda de polinizadores.

Perdas globais

Na Austrália, onde Manu Saunders trabalha, incêndios violentos agravados pela mudança climática deixaram estragos na vida selvagem. O fogo, que se alastrou por uma área maior que a de Portugal, matou cerca de um bilhão de animais, com alguns sobreviventes buscando refúgio em cursos de água e até tocas para escapar do calor.

Uma análise preliminar do governo na semana passada descobriu que os incêndios queimaram mais da metade do habitat de 114 espécies ameaçadas.

Entre elas está a cochonilha, um inseto em perigo de extinção que se acredita viver apenas em um único tipo de arbusto, vulnerável a doenças, incêndios e mudanças climáticas. É uma das quatro espécies de insetos em uma lista de 327 espécies vulneráveis ​​que viram pelo menos 10% de seu habitat conhecido afetado pelos incêndios.

“O maior problema é que temos muito poucos dados sobre as espécies de insetos que estavam nesses locais antes do incêndio, então não temos como saber quantas foram afetadas e em quais locais”, diz Saunders.

A perspectiva de incêndios mais intensos e frequentes na Austrália – e as dificuldades que as florestas devem enfrentar ao voltar a crescer – provocaram temores sobre as populações de insetos no longo prazo.

Pressão agrícola

Na Alemanha, onde a perda de insetos é mais bem documentada, a velocidade e a escala do declínio chocaram os cientistas. Um estudo publicado na revista Plos One em 2017 observou uma queda de 76% dos insetos voadores nas reservas naturais ao longo de quase três décadas.

A perda de população não se limitou a criaturas bem estudadas, como abelhas e borboletas, mas abrangeu insetos voadores como um todo, e foi documentada em áreas supostamente protegidas da ação de seres humanos. Os pesquisadores sugerem que a agricultura e os pesticidas agravaram o declínio, observando que quase todas as reservas estavam cercadas por terras agrícolas.

Em setembro passado, o governo alemão anunciou um plano de ação de 100 milhões de euros por ano que inclui a proteção de habitats, a eliminação gradual do controverso herbicida glifosato e a redução da poluição, em um esforço para combater a perda de insetos. Um quarto do financiamento será destinado à pesquisa.

Os cientistas que escreveram o roteiro para a conservação dos insetos veem a Alemanha como um exemplo a ser seguido. Mas o foco na proteção de insetos sem grandes reformas agrícolas deixou algumas incertezas.

A agricultura industrial, pesticidas e monoculturas representam grandes ameaças. E esse contexto, por sua vez, põe em risco as colheitas e o suprimento de alimentos, de acordo com um “atlas de insetos” publicado em janeiro pela Fundação Heinrich-Böll, pela Amigos da Terra Alemanha (Bund) e o jornal Le Monde Diplomatique.

A Alemanha é forte na proteção de insetos, mas falha em assumir o papel da agricultura nesse problema, diz Christine Chemnitz, especialista em política agrícola da Fundação Heinrich-Böll e líder do projeto do atlas. “Apoiamos totalmente [o programa de proteção], mas o vemos de forma crítica, porque a política agrícola também precisa mudar urgentemente.”

Fonte: https://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2020/01/30/156808-o-alerta-de-cientistas-para-evitar-o-desaparecimento-de-insetos.html. Acesso 8/02/2020.

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Como a poluição do ar pode afetar gravemente nossa saúde mental

Pode ser que no futuro a polícia conte com um novo método para ajudar na prevenção ao crime: saber os níveis de poluição nas cidades. E, com o resultado dessa aferição, ela poderá voltar sua atenção e recursos para aquelas áreas onde o ar se mostrar mais sujo.

Você deve estar se perguntando: mas o que uma coisa tem a ver com a outra?

Pode ser que no futuro elas tenham tudo a ver.

Pesquisas recentes sobre os efeitos da poluição nos seres humanos mostraram que, além de problemas de saúde mental, de piora da capacidade de julgamento e do desempenho escolar, ela também pode estar ligada a um aumento dos níveis de criminalidade.

Essas descobertas são alarmantes, uma vez que mais da metade da população mundial vive em ambientes urbanos – e cada vez mais viajamos para áreas poluídas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que nove entre dez pessoas frequentemente respirem níveis considerados perigosos de ar poluído. A poluição do ar mata cerca de sete milhões de pessoas por ano.

Mas será que poderíamos em breve acrescentar números de homicídio à essa conta?

A BBC Future mostra a seguir quais as evidências mais recentes sobre esse tema.

Ar poluído prejudica o raciocínio

Em 2011, o pesquisador Sefi Roth, da universidade London School of Economics, em Londres, decidiu estudar os muitos efeitos da poluição do ar.

Ele estava ciente do impacto negativo dela na saúde, do aumento de internações hospitalares e também da mortalidade. Mas, pensou, talvez houvesse outros efeitos colaterais em nossas vidas.

Roth conduziu um estudo para saber se a poluição afetava o desempenho cognitivo.

Ele e sua equipe observaram estudantes fazendo provas em dias diferentes – e mediram a quantidade de poluição nestas datas.

Todas as outras variáveis permaneceram as mesmas: os exames foram feitos por estudantes de níveis semelhantes de educação, no mesmo local, mas ao longo de vários dias.

O pesquisador descobriu que a variação nos resultados médios era muito diferente. Nos dias mais poluídos, os alunos obtiveram as piores notas. E quando o ar estava mais puro, as notas eram melhores.

“Percebemos um claro declínio [do desempenho] nos dias mais poluídos”, diz Roth. “Mesmo alguns dias antes e alguns depois, não encontramos nenhum efeito – foi apenas no dia do exame que a pontuação do teste diminuiu significativamente.”

Para determinar os efeitos a longo prazo, Roth decidiu ver o impacto que o desempenho nesses testes teve entre oito e dez anos depois.

Aqueles alunos que tiveram pior desempenho nos dias mais poluídos acabaram indo estudar em universidades nas quais as notas para admissão eram mais baixas – e aqueles testes que eles haviam feito contabilizam pontos para entrar na faculdade.

Eles também estavam ganhando menos. “Portanto, mesmo que haja um efeito de curto prazo da poluição, se este ocorrer em uma fase importante da vida, poderá ter um impacto de longo prazo”, afirma.

Aumento da criminalidade

Em 2016, outro estudo referendou as descobertas iniciais de Roth de que a poluição pode diminuir a produtividade.

Essas descobertas levaram ao trabalho mais recente de Roth.

Em 2018, sua equipe analisou dados de crimes em um período de dois anos em mais de 600 áreas de Londres e descobriu que o número de pequenos delitos era maior nos dias com poluição excessiva tanto em áreas ricas quanto nas mais pobres.

Embora devamos ser cautelosos em tirar conclusões sobre correlações como essas, os autores viram algumas evidências de que existe um nexo de causalidade.

Como parte do mesmo estudo, eles compararam áreas muito específicas ao longo do tempo, bem como acompanharam os níveis de poluição nesse período.

Uma nuvem de ar poluído, afinal, pode se mover dependendo da direção do vento. Isso leva a poluição a diferentes partes da cidade, a áreas mais ricas e mais pobres.

“Apenas seguimos essa nuvem diariamente e vimos o que aconteceu com a criminalidade nas áreas onde ela chegava. Descobrimos que, onde quer que ela chegasse, a taxa de criminalidade aumentava”, ele explica.

É importante ressaltar que mesmo a poluição moderada fez diferença. “Descobrimos que esses grandes efeitos sobre o crime também aparecem quando a poluição está em níveis que estão bem abaixo dos padrões regulatórios atuais.”

Em outras palavras, os níveis que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA classifica como “bons” ainda estavam fortemente vinculados às taxas de criminalidade mais altas.

Embora os dados de Roth não tenham encontrado um forte efeito sobre crimes mais graves, como assassinato e estupro, outro estudo de 2018 mostrou que é possível haver um vínculo entre estes e a poluição.

A pesquisa, liderada por Jackson Lu, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), examinou dados criminais de um período de nove anos em mais de 9 mil cidades dos Estados Unidos.

E descobriu que “a poluição do ar previa seis categorias principais de crime” incluindo homicídio culposo, estupro, roubo, roubo de carros e assaltos.

As cidades com maior índice de poluição também apresentaram as maiores taxas de criminalidade.

Este foi outro estudo correlacional, mas que agregou fatores como população, níveis de emprego, idade e sexo – e a poluição ainda era o que mais conseguia prever o aumento dos níveis de criminalidade.

Outra evidência da relação entre criminalidade e poluição vem de um estudo de “comportamento delinquente” (incluindo fraude, roubo, vandalismo e uso de drogas ilícitas) feito com mais de 682 adolescentes.

Diana Younan e seus colegas da Universidade do Sul da Califórnia (USC) analisaram especificamente as minúsculas partículas PM2.5, que são 30 vezes menores que a largura de um fio de cabelo humano, e consideraram o efeito cumulativo da exposição a esses poluentes por um período de 12 anos.

Mais uma vez, os pesquisadores notaram que um “mau comportamento” foi significativamente mais provável em áreas com maior poluição.

Para comprovar essa relação, que não poderia simplesmente ser explicada pelo status socioeconômico, a equipe de Younan também levou em consideração a educação dos pais, a pobreza, a qualidade de sua vizinhança e muitos outros fatores para isolar o efeito das micropartículas em comparação com outros conhecidos fatores que influenciam os crimes.

Younan diz que suas descobertas são especialmente preocupantes, pois sabemos que o comportamento de um indivíduo durante a adolescência é um forte indicador de como ele se comportará como um adulto.

Indivíduos delinquentes têm maior probabilidade de apresentar resultados piores na escola, vivenciam o desemprego e são mais propensos ao abuso de substâncias. Isso significa que uma intervenção em idade precoce deve ser uma prioridade.

poluição afeta cérebro

Poluição e julgamento moral

Existem muitos mecanismos que podem explicar como a poluição do ar afeta nossos julgamentos morais.

Lu, por exemplo, mostrou que apenas o fato de pensar na poluição pode influenciar nossa mente por meio de suas associações negativas.

Naturalmente, os pesquisadores não puderam expor fisicamente os participantes à poluição, então mostraram aos participantes americanos e indianos fotos de uma cidade extremamente poluída e pediram que se imaginassem morando lá.

“Nós os fizemos experimentar psicologicamente os efeitos da poluição”, explica Lu. “Então, pedimos a eles que realmente se imaginassem vivendo nesta cidade para ver como se sentiriam, para fazê-los experimentarem psicologicamente como seria a sensação de viver num ambiente poluído e num ambiente com ar limpo.”

Ele descobriu que a ansiedade dos participantes aumentava e eles se tornavam mais autocentrados – duas coisas que poderiam aumentar comportamentos agressivos e irresponsáveis.

“Como mecanismo de autoproteção, todos sabemos que, quando estamos ansiosos, a probabilidade de socar alguém é maior do que quando estamos calmos”, diz Lu. “Então, ao aumentar ansiedade das pessoas, a poluição do ar pode ter um efeito prejudicial no comportamento.”

Em outros experimentos, a equipe descobriu que os participantes que viviam em condições com mais poluição tinham maior probabilidade de trapacear em várias tarefas e superestimar seus desempenhos para obter recompensas.

Esta pesquisa é apenas o começo, e pode haver muitas razões para o surgimento de efeitos como o aumento da ansiedade e do foco em si mesmo descritos no trabalho de Lu – incluindo mudanças fisiológicas no cérebro.

Quando você respira ar poluído, por exemplo, isso afeta a quantidade de oxigênio que você tem em seu corpo em um dado momento – o que, por sua vez, pode resultar na redução do “ar bom” para o cérebro.

Além disso, pode irritar o nariz, a garganta e causar dores de cabeça – o que pode diminuir nossos níveis de concentração.

Também está claro que a exposição a vários poluentes pode causar inflamação no cérebro e danificar sua estrutura e as conexões neurais. “Então, o que pode estar acontecendo é que esses poluentes do ar estão danificando o lobo pré-frontal”, diz Younan.

Esta área é muito importante para controlar nossos impulsos, nossa função executiva e o autocontrole.

Então, além de poder fazer com que a propensão ao crime aumente, a poluição também pode causar um sério declínio na saúde mental.

Um estudo de março de 2019 mostrou que adolescentes expostos ao ar tóxico e poluído apresentam maior risco de ter episódios psicóticos, como ouvir vozes ou apresentar paranoia.

A pesquisadora Joanne Newbury, do King’s College de Londres, diz que ainda não pode afirmar que seus resultados são causais, mas que eles estão de acordo com outros estudos que sugerem uma ligação entre a poluição do ar e a saúde mental.

“Isso se soma às evidências que ligam a poluição do ar a problemas de saúde física e à demência. Se é ruim para o corpo, é de se esperar que seja ruim para o cérebro”, afirma.

Os pesquisadores dizem que agora é preciso haver uma maior conscientização sobre o impacto da poluição do ar. “Precisamos de mais estudos mostrando a mesma coisa em outras populações e grupos etários”, diz Younan.

Fonte: https://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2019/06/18/152527-como-a-poluicao-do-ar-pode-afetar-gravemente-nossa-saude-mental.html. Acesso 30/01/2020.

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Não compre imóvel em condomínios…

… antes de ler este artigo!

Comprar ou mesmo alugar um imóvel num condomínio, especialmente nos residenciais, requer uma série de cuidados prévios que nem sempre é observada.

A primeira providência é obter cópia da convenção e do regimento interno do edifício, e estudá-las com atenção.

Explico porquê.

Antes, porém, uma experiência que tive na cidade de São Paulo, tida como uma das mais “adiantadas” quando o assunto é condomínios, e gestão condominial. Num estande de vendas de um empreendimento classe média, bairro Bela Vista, (relativamente) próximo à Avenida Paulista, comes e bebes incluídos, garçons simpáticos distribuindo acepipes, prosecos de boa marca, uma legião de (tidos como) corretores uniformizados, olhos ávidos à busca de um cliente, eis que a simpática senhorita que nos atendeu (estávamos eu e minha esposa) se descompõe quando peço a ela uma cópia da minuta da convenção do condomínio.

Sem querer, a princípio, admitir que não sabia do se tratava, mas visivelmente desconfortável, ela pede licença e se afasta da mesa em que sentávamos, e se dirige a um sujeito engravatado, que gesticula, faz caretas, ajeita o cabelo, para finalmente apontar para outra pessoa sentada à frente de um computador.

Resumindo a ópera, depois de bons 15 ou 20 minutos, chega nossa anfitriã com um calhamaço de mais de quarenta páginas, impressas de um só lado.

Moral da história: (quase) ninguém, em qualquer fase do empreendimento, se lembra de ler atentamente a convenção e regimento!

Recentemente, uma grande amiga, em conversa informal durante uma carona do trabalho à casa, me comunicou toda alegre e contente (claro!) que havia se comprometido na compra de um apartamento num determinado condomínio. Atualmente (e há anos) morando em condomínio, e sabedora do meu envolvimento em gestão condominial não estranhou quando perguntei se tinha lido a convenção, mas, acabou confessando “que não se lembrou de ver isso”.

Minha sogra, que sempre me prestigiou nos lançamentos dos meus livros, também já protagonizou eventos desse naipe.

condomínio casas (4)

Voltando agora ao “explico porquê”, há convenções e regimentos com preceitos para lá de esdrúxulos, com determinações que, quando não são de pronto inaceitáveis, até ilegais, decididamente não se enquadram no seu estilo de vida e de sua família.

Somente para exemplificar, algumas estipulam direito de o incorporador pagar apenas um percentual, bem abaixo do valor da cota condominial enquanto seus imóveis não forem comercializados, outras disciplinam de tal forma a utilização da garagem que seu SUV não entra na vaga, e, talvez pior, não tem espaço definido para sua moto de 1000 cilindradas, outras ainda que podem proibir a presença dos amiguinhos de seu filho na piscina, na quadra ou no parquinho, e aquelas que, apesar de ‘garantir’ vagas de garagem para cada unidade, estipulam a necessidade da contratação de manobristas (24 x 7), pois não há vaga suficiente para todos, onerando o valor da cota condominial.

É vital que, antes, muito antes de decidir morar num imóvel dentro de um condomínio, seja como comprador, locatário, a qualquer título, você se familiarize com os textos da convenção e do regimento interno desse empreendimento, além, quando for o caso, com as atas das principais assembleias havidas até então.

Se se tratar de lançamentos, ou de novos condomínios ainda não instalados*, há outras questões que precisam ser verificadas, como já abordado pelo blog.

[*Assembleia de instalação, como sabe, é a primeira, aquela que faz com que o condomínio passe da condição “de construção” para a condição “de utilização”, momento a partir do qual construtora ou incorporadora sai de cena, a gestão integral do empreendimento passa aos cuidados exclusivos dos condôminos].

Não assine qualquer papel antes de dirimir todas as dúvidas, consulte um profissional experiente e habilitado quando as respostas obtidas do vendedor, da imobiliária ou da própria administração do condomínio não forem satisfatórias e conclusivas.

É um tempo que vale a pena ser “perdido”, cada centavo gasto nessa empreitada pode significar segurança e tranquilidade no futuro!

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Veja o aumento da temperatura nas maiores cidades do mundo até 2050

A pesquisa “entendendo as mudanças climáticas a partir de uma análise global entre cidades” publicada na revista científica PLOS ONE pelo The Crowther Lab da ETH Zurich, nos apresenta uma visão de futuro bastante preocupante.

A pesquisa faz uma análise das condições climáticas de mais de 500 cidades com mais de 1 milhão de habitantes em diferentes partes do mundo, projetando o impacto das mudanças climáticas e do aquecimento global na temperatura média destas cidades, inspirando as pessoas à agir e cobrar mais comprometimento das autoridades mundiais em relação ao tema.

A pesquisa procurou responder à algumas perguntas: Quantas das cidades analisadas apresentarão transformações consideráveis em suas condições climáticas? Em quantas destas cidades o clima atingirá temperaturas inéditas e situação climáticas imprevisíveis? E finalmente, o aquecimento global é um fenômeno que afeta o planeta de forma uniforme ou pontual?

“Incluso no cenário mais otimista, encontramos que um 77% das cidades analisadas provavelmente deverão experimentar uma transformação considerável em suas condições climáticas, se afastando cada vez mais de suas históricas condições atmosféricas típicas de sua região geográfica. Além disso, acredita-se que 22% das cidades atingirão temperaturas nunca experimentadas em nenhuma das outras cidades analisadas.”

São Paulo com o tempo seco

São Paulo com o tempo seco e temperatura na casa dos 25º C
Imagem: Werther Santana/Estadão Conteúdo

“Como uma tendencia geral, encontramos que todas as cidades tendem a apresentar temperaturas de cidades mais próximas das zonas tropicais, sendo que as cidades do hemisfério norte apresentarão um considerável aumento de temperatura, condições climáticas mais próximas de cidades que hoje se encontram em média, 1000 km mais ao sul, enquanto que as cidades de climas tropicais, apresentarão um clima muito mais seco que úmido.”

Quais serão as consequências para as grandes cidades da América Latina?

Buenos Aires terá um clima mais parecido com a cidade de Sidney na Austrália; Santiago será como Nicosia, a capital do Chipre; Quito apresentará um clima sul-africano como em Durban; A Cidade do México será como Gaborone no sul da África, O clima em São Paulo será como em Miami e a cidade de Sucre como a Cidade do México. Acompanhe a projeção comparativa das mudanças climáticas nas principais cidades do mundo através do mapa interativo do The Crowther Lab.

Artigo completo em: https://www.archdaily.com.br/br/921041/veja-o-aumento-da-temperatura-nas-maiores-cidades-do-mundo-ate-2050?utm_medium=email&utm_source=ArchDaily%20Brasil&kth=2,652,002 . Acesso 16/01/2020.

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1 ou 3 condomínios?!!!

A unicidade do síndico na gestão de condomínios é questão incontroversa, evidenciada, claro, sua autonomia, atribuições e responsabilidades.

Será?!

E se…

…Um condomínio instituído com três torres, construções essas totalmente independentes entre si, separadas por muro e cada uma com sua própria área de lazer, endereço próprio com CEP e tudo.

A convenção, única, é cuidadosa quando atribui a administração a um síndico, auxiliado por subsíndicos.

Cada torre, ou subcondomínio, como é denominada pela mesma convenção, tem seu subsíndico, que administra suas receitas e despesas.

Não há uma prestação mensal de contas do condomínio como um todo, dito “geral”.

O síndico, não orgânico, ‘dá expediente’ numa dessas torres, a única com um espaço reservado para a Administração; quando necessário, ele é convocado para as chamadas “reuniões mensais” ou “assembleias setoriais”, momento em que é tratado assunto restrito a uma só torre e que não traga reflexo a outro setor e/ou subcondomínio dele.

prédios SP (1)

Nesses encontros são decididas todas as questões atinentes à administração propriamente dita de cada torre, individualmente, como compras de materiais e equipamentos, manutenções, contratações ou dispensa de funcionários, etc.

Como o regimento interno, ainda parte integrante da convenção, é algo vago, a Administração decidiu afixar placas nas diversas áreas de lazer com lembretes aos condôminos, algumas dessas sem qualquer correlação com o texto regimentar.

Veja alguns exemplos: no regimento interno não há qualquer menção ao horário de utilização de determinado espaço, mas lá está a plaquinha estipulando quando tal local pode ser usado.

Outro, no regimento a idade mínima para frequentar as piscinas desacompanhado de um adulto é 15 anos; a plaquinha traz 10 anos. Ainda nas piscinas, enquanto a plaquinha proíbe recipientes com vidro, o regimento sequer menciona isso.

Pois… isso não é ficção, e tal empreendimento está localizado no estado de São Paulo.

A cereja do bolo é que, ao final, a convenção traz os quadros de áreas individualizadas por torre e também da edificação total, oportunidade em que ressalta que “servem para embasar eventual rateio de futura despesa de um deles sem reflexo em qualquer dos outros, e, também, para resguardar direitos no caso do empreendimento original com três torres vier a ser desmembrado em três edifícios separados e independentes entre si”.

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A agressão e o regimento interno

Nesses dias, aqui em Brasília, um condômino agrediu o porteiro do condomínio porque ele não permitiu que um entregador de comida subisse até o apartamento.

Passava das 11 horas da noite, exatamente às 23h43, e o porteiro, segundo as informações da imprensa, apenas cumpria o que determinava o regimento interno do condomínio, que proíbe entregas até a porta das unidades a partir das 23 horas.

Ou seja, quem recebesse entregas após esse horário teria necessariamente que descer até a portaria para pegar o que pediu.

As imagens (chocantes, desagradáveis, deprimentes) veicularam nas diversas mídias, repercussão essa devido ao agressor ser figura conhecida, ex-deputado federal e policial civil aposentado.

A agressão, além de física, foi verbal, tendo o ex-parlamentar ameaçado o funcionário de morte.

Atitude inescusável do condômino, sem sombra de dúvida. Mas, ainda assim, há que se considerar que não se sabe o diálogo que houve entre eles quando o porteiro anunciou a entrega.

Faltou a ambos o que especialistas denominam de inteligência emocional: ao porteiro, supondo que não tenha sido ‘delicado’ quando comunicou ao ex-policial, conhecido “pavio-curto”, que ele teria que descer para pegar sua entrega, e a este, que poderia respirar fundo, reconhecer que o porteiro estava apenas cumprindo as regras… justo ele, ex-policial!

Esse momento de fúria, ao agredir o funcionário da portaria – e que poderia ter sido pior se condômino tivesse usado sua arma, que supostamente estaria em sua cintura – o que salta aos olhos é o despreparo que certas pessoas têm para morar em coletividade, e o evidente desinteresse em mudar isso!

regimento interno2

Alegar desconhecimento das normas, como fez o ilustre condômino, é o mesmo que queimar um caro equipamento eletro-eletrônico por não ter lido as instruções antes de usá-lo.

O que remete, nessa análise, ao Regimento Interno propriamente dito, aquele conjunto de regras que disciplinam a vida no intramuros condominial, sobretudo a convivência: o que pode, o que não pode, horários, se há taxas para utilização de certos ambientes (como o salão de festas, churrasqueira), a antecedência que deve ser observada, e tantas outras…

regimento interno

Um texto bem elaborado, sem conflitos com a convenção, é (pode ser) o refúgio a que o síndico recorre quando há eventos como esse, impondo as sanções lá descritas ao infrator, e pode propiciar “segurança administrativa” aos funcionários, se se pode assim denominar, quando precisam contrariar um condômino, como nesse caso aqui relatado.

É salutar, portanto, sempre relembrar as regras do regimento interno e convenção nos documentos oficiais do condomínio, como boletos, cartas e circulares, pinçando no texto completo alguns trechos e transcrevendo-os, além de fixá-los nos quadros de aviso de quando em quando.

Lembramos o artigo Regimento interno e convenção. Quórum para modificá-los, publicado sob a categoria ‘leis e normas’, em 12/10/18.

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